Inaugurada em 1901, a estação de Nova Baden, a 6 quilômetros de Lambari, destinava-se a fomentar o desenvolvimento da Colônia Agrícola, criada em 1900 pelo Presidente (de Minas Gerais) Silviano de Almeida Brandão. Em vez de colônia que não medrou, Américo Werneck aí iniciou o Horto Florestal, cuja plantação viçou. Além da via-férrea, ligava Nova Baden a Lambari, a estrada de rodagem.
Presente na inauguração, o senhor João Bráulio Moinhos de Vilhena Júnior (ao centro da foto, na frente, com casaco escuro), bisavô de Ana Paula Vilhena.
A estação de Lambari foi aberta com o ramal, em 1894. Por algum tempo, no início do século 20, a cidade teve o nome de Águas Virtuosas. O tráfego de trens permaneceu até 17/12/1966. Em 1949, viajava-se de trem para Lambari conforme descrito:
"Nem precisei fechar os olhos para ver as janelas levantadas por causa das fagulhas, com as letras RMV, naquele branco fosco, embutidas no vidro. Até senti o gosto - mais açucarado, impossível - do Guaraná Radar, fabricado em Passa-Quatro, logo ali depois de Cruzeiro. De 1939 até 1963, passamos as férias em Lambari. Os primeiros 14 anos descendo na Parada Melo, junto do Hotel Imperial. Na volta o embarque era pela estação de Lambari mesmo. O vagão dormia lá, a gente chegava com tempo para se acomodar, a bagagem. Aí chegava a Maria Fumaça puxando os vagões de São Gonçalo do Sapucaí e Cambuquira. Tinha aquele vai-vem, o engate do nosso vagão e a descida até Cruzeiro" (João Luiz de Albuquerque, 06/2006). "Da capital da República (Rio de Janeiro) vem-se de trem, de automóvel e futuramente de avião. Pela estrada de ferro parte-se da estação D. Pedro II, às 7 horas pelo rápido paulista (RP1). (A direção da Central faz correr nos meses de março e abril, o trem especial chamado "das águas ou dos aquáticos", que parte as 6:30 com poltronas numeradas coincidindo seus números com os do carro no trem da Rede Mineira de Viação, mas dada a grande procura, convêm ser, sempre, solicitadas as passagens com a devida antecedência).
O panorama é encantador; tanto no trecho da Central com a subida da serra do Mar, oferecendo paisagens que deliciam a vista, como o deslizar do trem pelo vale do Rio Paraiba, sempre encachoeirado e poético. No trecho da Rede, não é menos agradável o percurso, ao sair-se de Cruzeiro o trem galga a Serra da Mantiqueira, passa pelo tunel divisor do Estado de Minas e São Paulo e percorre o resto do trecho pelas margens dos rios Verde e, depois, do Lambari, passando por cidades e lugarejos e divisando-se ao redor espetáculos surpreendentes da natureza; extensos vales, picos soberbos, vegetação luxuriante e cenários paradisíacos!
O trem chega em Freitas às 8:31, partindo às 10:45 para Lambari, onde chega às 12:35. Quando acontece atrasar muito, a ponto de prejudicar o entroncamento com outros trens de diversos ramais, os passageiros ficam nessa estação aguardando o expresso à tarde, que partindo de Cruzeiro às 13:30 a alcança às 17:30, deixando-a às 17:40 com destino a Lambari, onde chega às 18:43".
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